Minha razão

Olá!!
Criei esse espaço para postar subjetivações subjetivantes do sujeito que sou!
Filosofia, psicologia, educação.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Psicologia de massas

    Sou herdeira daqueles que criticaram o Marxismo, dentre eles W. Reich, Edgar Morin e Fernando González Rey. Eles são pensadores e atores de uma luta pelo fim das clivagens. Eles buscam integrar e não separar. E me ensinaram a ir além dos reducionismos, linearidades e simplificações, que são tipos de problemas mentais. Se preciso demarcar um lugar de partida, essa herança seria ele.

    Por vivermos no mundo do contraditório e do paradoxal, nem sempre conseguimos harmonizar as partes que nos compõem e eu gosto de entendê-las como quatro campos, quatro dimensões interdependentes. O que acontece numa, acontece na outra também e elas, portanto, precisam estar em diálogo harmônico. Essas partes seriam a Physis, a Anima, o Logos e o Spiritus. Cada uma tem uma vida própria e tem também uma vida em relação com as outras camadas. Assim que traduzo o uno múltiplo do humano, conceito que aprendi com Edgar Morin. O uno múltiplo é multidimensional, mas eu resumo nesses quatro campos para facilitar uma pedagogia com meus pacientes. Faço isso para dar um limite plausível ao ilimitado. A metáfora é de quatro corpos a alinhar ou sintonizar, sincronizar.

Coloco essa metáfora só para deixar claro que a complexidade do assunto que aqui me proponho é gigante e que nenhum pequeno texto conseguirá abarcá-lo. Se falo de movimento de massa falo da integração de singulares complexos dentro de uma unidade complexa: a massa humana.

No nosso mundo de hoje entendemos que à distribuição socioeconômica corresponde uma distribuição ideológica e vivemos atualmente uma guerra no plano das ideias, ou seja, digladiamos pela forma de pensar e não mais pela garantia de recursos materiais ou sobre o "fazer". Isso já começou nos tempos da segunda grande guerra e agora está cada vez mais evidente com o advento da comunicação via internet e redes sociais. Temos que investir urgentemente no "aprender a pensar", pois, atualmente o pensamento está dado e as pessoas não precisam mais gastar energia para pensar. Muitos estão pensando por elas, entregando conteúdos prontos e sem nenhuma formação de uma avaliação crítica e um fornecimento coerente de recursos imateriais.

Existe um movimento psíquico nas massas populares. Podemos pensar como uma subjetividade social (González Rey) que se organiza como configuração subjetiva dinâmica, Compreender a organização psíquica das massas e a sua relação com a base econômica da qual ela se origina é um bom trabalho a ser feito. Mas o assunto não só econômico, uma vez que muitos elementos compõem a dinâmica psíquica das massas, tais como: papéis de gênero, diferenças morfológicas, processo histórico, símbolos culturais, entre outros.

O fascismo é um movimento de massas e produz espaços relacionados ao mundo que mudou após o advento da industrialização, fomentado pela revolução francesa e pela revolução industrial, tecnológica e científica. Para compreender esse fenômeno, que vem mascarado pelo econômico e pelo político, precisamos agregar ao debate os aspectos da estrutura de caráter da massa e o efeito social do misticismo (W. Reich). Esse assunto não é só objetivo, pois nele entram os fatores subjetivos da história e também a construção das ideologias de massas. Aqui eu faço um link aos campos que compõe uma pessoa singular humana, ou seja, seu existir multidimensional enquanto ser aí no mundo.

Quais parâmetros usar para compreender o movimento das massas? Nesse estudo precisamos conjugar o medo do desconhecido, a passividade da pessoa e o assassinato do sujeito. O comportamento das massas é irracional. Por qual razão eu defendo um modelo que pressupõe minha própria escravidão? Por que é possível perceber o ditador, mas não tanto a ditadura? 

Importante salientar que nosso código moral não é divino, é humano e desejos e proibições remetem ao medo. A psicanálise explica o movimento de massas pela castração, ou seja, o objetivo da moralidade seria a criação do indivíduo submisso, pois ele se adapta à ordem autoritária, apesar do sofrimento e da humilhação.

A Família, para Reich, é o Estado autoritário em miniatura e o resultado disso é a mentalidade reacionária. A ideologia autoritária da família possui uma habilidade de manejar a emoção e evitar argumentações objetivas.  O racional fica cego, preso a um processamento irracional.

Por que motivo as massas se mostram receptivas ao engodo, ao embotamento ou a uma situação psicótica? Precisamos saber o que se passa nas massas cujas pessoas apoiam a sua própria opressão e isso não pode ser esclarecido pela política ou pela economia. Isso precisa ser esclarecido pela psicologia de massas. 

Por qual motivo as massas se deixam iludir politicamente? E religiosamente também? Pela promessa de um objetivo final. Isso está ligado ao "dar um sentido ao sem sentido".

O êxito do opressor não se deve exclusivamente à sua personalidade, nem ao papel objetivo da sua ideologia, pois a massa se movimenta por sua própria organização, que é contraditória e é na maioria formada por uma "classe média" que é conservadora e de organização familiar patriarcal hierárquica. O comportamento da massa flui na pulsão opressão - opressor - oprimido e existe uma tensão entre "código de restrição" e "código de liberação".

Podemos falar aqui em micro políticas e em macro políticas. Espaços socias são sistêmicos e vivos por si só. São organizações subjetivas, como possibilidades de produções de sentidos que podem colapsar em uníssono. Nicolélis sugere a existência de "brainnets" e eu gosto de imaginar o quão material e imaterial é esse processo da organização subjetiva social.

As pessoas mostram quem elas são quando assumem uma ou outra postura. Mas como explicar quando eu assumo uma postura que vai contra mim mesma? Ser reacionário está relacionado aos movimentos que tendem a anular os efeitos de uma revolução ou de uma mudança ou até mesmo impossibilitar as mudanças. Cientificamente falando, sabemos que as mudanças vem da esquerda e as resistências às mudanças vem da direita. Sabemos também que eu não mudo a mente do outro, só a minha!

Portanto, quero convidar aos que estão atentos e ativos (no seu lugar de sujeito da ação, tal qual aprendi com González Rey) que precisamos abandonar o lugar do descontente bem sucedido (Tart) e do inocente útil (Baldani). O movimento das massas é um tema em voga, assim como as vias de comunicação em massa. Para mim, como pensadora em inquieta, cada vez mais o assunto do sujeito e do assujeitamento se torna importante e necessário.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Natal

Família reunida para o Natal.

Parece que estamos falando de Lula e Bolsonaro.

Mas não.

Estamos falando de

Materialismo ou espiritualidade.

Patriarcado e liberdade.

Amor e ódio.

Essa é a nossa dicotomia, que começa no medo e segurança.

São configurações de valores.

São produções de sentido - manutenção ou transformação?

Coragem e ousadia ou "melhor ficar onde já conhecemos"?

Atentem aos seus códigos e seus símbolos.

E deixa o outro em paz com o símbolo dele e as crenças que ele sustenta.

Mas cuidem para não perder o humanismo e o profundo respeito aos códigos da vida.

Se é tempo de Natal, é tempo de valorizar o pensamento crítico que o próprio Jesus trazia em sua missão de vida.

O que foi feito dessa Festa? De onde ela veio e para onde ela vai? Quem a instituiu e como?

Não embarca desavisado, senão corre o risco de passar mal na viagem.

Nesse caldeirão de almas, tem uma da qual você é o único responsável: a sua! Que não está lá no céu te esperando na hora da morte. Está aqui e agora contigo, o tempo todo, se impregnando das múltiplas vivências que emergem no teu caminhar na vida.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Mentiras construídas

Na moralidade: a dualidade bem-mal, bom-mau, certo-errado;

Na autoridade: uns são escolhidos;

No campo do medo e agressividade: somos uma espécie ruim;

Na estratificação: uns são superiores;

Na concepção: a vida é uma luta!


Nada disso é verdade!

O amor incondicional

Relativizar-me

Desmoronar-me

Desentronizar-me

Desmentir-me

Desmascarar-me

Reconhecer-me

Harmonizar-me

Descortinar-me

Perder-me

Abrir-me

Dezarrazoar-me

Arriscar-me confiante

Saber dar nome aos demônios e aos deuses

Desmonte o falso realismo

Integrar-me

Sentir-me

Cuidar-me

Amparar-me

Romper a dicotomia preto-branco; bom-mau

Sujeito - agir - apareça

Ação - apresentar-se

Olhar para si mesma e conjugar as aprendizagens.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Origens

 Com certeza

A mulher nativa

Filha da Terra

Virgem


Com certeza

O invasor

O macho, bárbaro, possessivo


Sou filha do amor e da dor.


Não há Deus que nos salve disso

Não há Evangelho que nos sustente.

Acorda!

terça-feira, 11 de julho de 2023

Mundo e adoecimento

Nós estamos numa sinuca de bico.

Adoecemos o mundo, que agora nos adoece.

Não conseguiremos des-adoecer o mundo estando no mundo adoecido.

O mundo adoecido precisa de seres sadios.

Os seres sadios des-adoecerão o mundo.

Mas o mundo está adoecido! 

Como conseguiremos manter os sadios, sadios?

Não é medicar o doente,

É terminar com o mundo adoecido.

É natural e oscilante - não existe total estabilidade na natureza.


segunda-feira, 3 de julho de 2023

Sonho

Sonhei conosco essa semana.

Entre os presentes e os ausentes na cena, fica só uma certeza.
Vozes do afeto me ouviam e vozes do intelecto me falavam.
Algo saiu do recinto e fechou a porta. E não quer mais voltar ao espaço comum.
Mas fez isso, pois algo não convidado invadiu o recinto. E veio cheio de arrogância e prepotência.
Entre múltiplas interpretações possíveis, a certeza de uma dor que vai ser difícil de curar.
O meu lugar nisso tudo?
Testemunhar e sentir.
Beijos,
Ana