Minha razão

Olá!!
Criei esse espaço para postar subjetivações subjetivantes do sujeito que sou!
Filosofia, psicologia, educação.
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terça-feira, 20 de abril de 2021

Brincando com as emoções

Nosso campo de trabalho é a zona de conflito. Pessoas que estão em conflito e tensas nos procuram e nós tentamos ajudar na resolução e na liberação da tensão. Quando ocorre liberação genuína há transformação e, em geral, o conflito se resolve.

Para chegar nesse ponto onde o fluxo ficou impedido, precisamos conjugar os corpos: o que sente, o que sensoria e o que raciocina. Uma boa forma de conseguir isso é pela metáfora, pela criatividade e pela abstração. Em geral precisamos transitar pelas áreas que integram o que vejo, o que escuto e o que eu toco. Muitas vezes entra também o movimento, a cinestesia, um gesto, uma postura. Para alcançarmos essa integração propomos vivências.

Tenho brincado com as emoções integrando imagens, sons e posturas, afinal, meu trabalho é no cruzamento entre a visão, a audição e o tato, considerando esse último integrado com o movimento e a postura,

Assim, brincando, associo a raiva com o fogo que queima, a tristeza com a água que lava, a alegria como o vento que inspira e leva e o amor com a terra que sustenta, nutre e acolhe. A partir daí ajudo a pessoa a expressar, sentir e liberar. Solicito que sinta a temperatura do fogo, da água, do vento e da terra. Que olhe suas cores, que sintam seus sabores, cheiros e escutem seus sons. E aí encontre o seu ser aí no mundo.

Resgatar a expressividade por meio da brincadeira tem sido muito proveitoso nos trabalhos de desenvolvimento humano. Chegar nos traumas com paciência, delicadeza e cuidado, conduzindo a pessoa por vias amorosas e alegres ajuda a chegar nas emoções mais dramáticas e marcantes, tais como a dor e o medo. Me aproximo do fóbico, toco nele e ele se dissolve produzindo novos recursos e possibilidades.

A terapia é um lugar de encontro, onde um conduz o outro pelos labirintos do inconsciente, ajudando a resgatar o que temos de bom e que está oculto, camuflado ou impedido. Fazemos isso brincando com as emoções.

sábado, 28 de março de 2020

Texto ao jovem psicoterapeuta

Esse texto foi redigido para meus alunos de supervisão de estágio na clínica. E é um texto que fala  da forma como trabalho com meus pacientes. Dentre as muitas formas de compreender a ação profissional em psicoterapia, segue a que mais atende minha visão de humano, de desenvolvimento e de saúde. Eu defendo que nosso trabalho começa por ...

Confiar na capacidade auto-reguladora do corpo e do Eu.

E segue por conduzir o paciente aos espaço que ele tem de resolução e que estão sem acesso por conta dos sintomas ou bloqueios.

Eu, como terapeuta, pouco faço. O paciente sabe. Eu só preciso manter sua atenção pelo caminho que ele próprio precisa caminhar. Eu o levo para o restaurante, mas ele escolhe o que irá comer. O paciente possui suas pautas e eu preciso aprender sobre elas.

Buscar ao máximo trazer para o aqui e agora, mais do que às dinâmicas do passado (analíticas) e introduzir a noção de futuro. A vida se vive do hoje para o amanhã e não temos vias de mudar o passado, só sua interpretação e sentido/significação. Assim, não fixar-se demais no problema e sim orientar-se à sua solução.

Existe um princípio que defende que a natureza sabe tratar a si mesma. O corpo sabe o caminho de sua cura, assim também é com a mente subjetiva.

O que eu tenho para trabalhar são os meus sentidos (vejo, escuto, cheiro, toco, provo e percebo). Portanto, uso esse aparato humano e  observo. Não analiso e não julgo. Somente constato pela observação e percepção. Junto a isso agrego o saber que tenho de mim mesma sobre minhas relações com as emoções, tais como o medo, a dor, a alegria, a raiva, o asco, a serenidade, o êxtase. 

Quem faz o trabalho é o paciente. Eu o amparo. Eu ajudo na construção de um "clima".

As pautas se modificam, são passíveis de mudança. E posso quebrar o mito do "ir ao trauma". O sintoma pode até mesmo se converter numa solução e posso ajudar a criar problemas de mais fácil resolução, que aos poucos ajudam na resolução de problemas mais difíceis. Eu preciso fortalecer onde a pessoa é forte, portanto, resistências podem ajudar quando bem trabalhadas.

E eu preciso falar com o paciente a partir de sua própria linguagem e não a partir de teorias ou técnicas. Preciso aprender a respeitar a organização do paciente e não querer ajustá-lo às organizações universais. Eu preciso ajudar que ele compreenda a partir de si mesmo e que se transforme a partir de si mesmo.

Ação, sentimento, pensamento caminham juntos.

Existem duas possibilidades na estratégia terapêutica: separar ou integrar. Separar ou vincular. Podemos usar as duas, conforme as circunstâncias de cada processo.