Minha razão

Olá!!
Criei esse espaço para postar subjetivações subjetivantes do sujeito que sou!
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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Delírios de Baldani

Apresento aqui neste post alguns dos delírios saudáveis de Mário Baldani, um dos precursores e criadores da Biocibernética Bucal nos anos 70. Encontrei essas anotações, feitas em um curso do qual participei nos dias 25 e 26 de agosto de 1990, por acaso. Elas estavam perdidas dentro de um caderno da formação de meu outro professor, o chileno Eleodoro Ortiz e só agora apareceram. Vou colocar tal qual encontrei no caderno, sem muito refinar, editar ou elaborar. Tudo o que aqui registro derivam das palavras de Mário Baldani. Só um deguste, para que fique aqui no tempo. Abre aspas!

Analfabeto é aquele que não tem consciência da realidade que vive e não aquele que não sabe escrever.

A criança nasce inocente e com cinco órgãos de sentidos ligados aos seus órgãos internos (organizados em si). Daí deriva a formação do sexto sentido, que é a percepção. Seis é sex, o sexo, ou seja - o seis ligado ao absoluto. A SEXUALIDADE é o sexo na idade.

Até dois anos a energia é totalmente bucal. A amamentação ocorre até ficar de pé. Depois que fica de pé ela se apoia no planeta e fica geocêntrica. Antes disso ela é antropocêntrica. De 4 até 6 anos a energia chega no sexo. O ano mais dramático é o 6º, quando chega o primeiro molar permanente. Outro ano dramático é o 19, quando chega o terceiro molar. E depois aos 42 anos. (21 + 21)

Se tudo vai funcionando certo, ok. No o sexto ano tudo fica introjetado. (aqui tem a analogia seis e sex)

PARADOXO = para viver o mundo de hoje, que está totalmente artificial, a boca não pode estar certinha. Se a boca está "fodida" a pessoa está melhor.

O furo n´água - só enquanto tem dedo é que tem furo.

Aprender a montar o processo no mecanismo de morte, que é = tudo pode! Menos uma coisa: matar! (morte, para Mário, era o maior tempo-espaço)

Quem sabe o que pode é o pai e a mãe. - E aí, não pode nada! Aí o próprio pai e a própria mãe matam o filho.

NORMA DO SISTEMA = a norma passa a ser normal.

Hoje em dia não se pode afirmar nada em biologia. Tem que ver a coerência e o que é coerente para um, não é para outro.

A criança indígena e a criança da mamadeira e da creche - a segunda está sendo programada para a tecnologia e a ciência.

Certo é o que funciona, então, rever o que não está funcionando e fazê-lo funcionar sem estabelecer padrões. 

A ciência não é má. Nós que fazemos um uso inadequado dela.

O homem cria problemas para achar soluções.

Sempre achamos bodes expiatórios para feitos nossos.

Não podemos levar o homem para o espaço do jeito que ele é, terráqueo.

Que bom que você está perdendo um dente. Sinal de que está fazendo experiências.

A experiência da encarnação é um grande choque, uma zona fóbica.

A experiência da grande massa preta energética, de alto potencial, que me dá choque e que eu ainda não consegui tocar. (tenho que atravessar essa zona fóbica, que é meu próprio medo).

- minha experiência uterina - meu parto - minha encarnação.

A experiência do grande uno que teve que começar a dividir, multiplicar, diferenciar, especializar e não tinha nenhum apoio.

Paleolítico - tempo uterino, formando inocência.

Neolítico - quando nasce, inocente.

A pedra lascada é onde começa a ciência. Daí vem a pedra polida e se constrói o templo, a prisão. Daí perde o templo, vem os podres, os valores externos e a criança vai para a prisão.

Período tribal; Período de grupos diferentes; Conceito de família; Democracia de massas; Democracia individual.

Para o indígena a pedra não tem valor de pedra preciosa. Há diferenças de valores nas culturas distintas.

Dos dois aos seis anos a criança é tribal. Não tem noção de espaço, de tempo, divisas, valores. Não tem referencial, não tem razão organizada. Não tem país, não tem divisa, forma um povo só.

Quando ela vai para a escola ela começa a aprender os limites (isso pode, isso não pode). Aí ela percebe onde a colocaram - a família, a loucura! Aí ela quer sair fora e se rebela.

Educar ou ensinar?

Dizer para o filho ser coerente como o pai? Que coerência? Cada um tem seu processo, sua história.

A criança briga com a família e vai para a democracia de massas - deixa crescer o cabelo, vira hippie, coloca a música alta, adquire ídolos, pega piolho, etc. Arrebenta as estruturas e não coloca outra no lugar. Aí vai para a Universidade. O difícil é entrar na democracia individual. É fácil ficar na democracia de massa.

A história se repete porque é introjetada no automático.

Vão introjetando conceitos na criança, acabando sua inocência. Vai criando a prisão, a culpa. Quando adulta ela estará totalmente introjetada.

Caímos na gaiola de ouro por amor. Estamos aprisionados. Nunca defenda a gaiola de ouro por ela ser de ouro. Somos subconscientes automatizados.

A terapia é uma forma de tratar a grande dor que o homem criou no universo. Na evolução, na medida que o homem ia mexendo no planeta, explorando, ele foi causando sua própria doença (corporal e espiritual).

Eu sou a ideia que injetaram em mim. Não existe pai e mãe - só guardiões dos espíritos livres (filhos de Deus). Ninguém é filho de ninguém.

A razão é referencial (a razão científica). A consciência é uma percepção maior.  Há o médico que não está preocupado com a vida e sim com a razão científica.

A mística do engodo é a maquiagem dos símbolos, que é o engodo da ciência. (transferiram o poder do padre para o cientista)

Nós somos a forma como nós pensamos. As tensões se liberam na forma de pensar.

O Eu ainda continua na nossa cabeça, na forma de pensar - ele ainda acredita na gaiola de ouro.

Existe um grande engodo na liberação do sexo, pois a liberação é no pensar. O vício é o dogma. Libera a cabeça e não mais existirão vícios, prisões. Quanto mais recalca o subconsciente, mais exacerba o sexo.

Nós somos descrentes de nós mesmos, não acreditamos no nosso potencial e por isso o castramos e preferimos não vivê-lo.

O PENSO é curativo (penso da mente = pensamento) - somos castrados, temos o nosso pensamento castrado.

A hora que abaixarem os dogmas, os conflitos atenuam. Mudaria a forma de pensamento da sociedade. Os dogmas que geram culpa são os de maior choque.

Nunca uma patologia foi eliminada - tá tudo sob controle por que é cultural. Para eliminá-la teria que eliminar a cultura.

(mastigar bem para fazer boa digestão)

As progressões:

1. Neuronal - progressão binária - 2 - 4 - 8 - 16 - 32 - 64 - 128 - 256 - altamente sensível no corpo, uma estrutura de memória.

2. Mielina espiralada - progressão logarítmica - 1 - 2 - 3 - 5 - 8 - 13 - 21 - 34 - 55 - 89 - 144 - 233 - 377

3. Cortical - progressão linear - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11 - ... - 33 - dá o enquadramento das coisas, o referencial - isso é bom, isso é ruim; isso pode, isso não pode.

Tudo tem um parâmetro, tudo tem um término.

As progressões são Neuronal, ligada às sensações; Mielina, ligada às emoções; Córtex, ligado à razão.

O tempo eu que determino = tempo que eu crio na quantidade que eu quero, de acordo com as minhas necessidades.

VIDA = o que eu quero manifestar - a ida da visão.

AMOR - a maior sabedoria

Mas eu realizo aquilo que foi introjetado, até que eu quebre essas ordens.

A preocupação da família é introjetar o mais rápido possível (VOCÊ "TEM QUE" FAZER ISSO).

INTROJEÇÃO DE SISTEMAS  (diferente de) eu faço aquilo que não me deixa apreensiva

Progressão do tempo - sistema de base - uma base para fazer uma expressão

O homem está no sistema de base 16 - 16 articulações - e tudo se junta no 33 (aqui entendo que Mário foca nos dentes - 32 + 1 = 33. Nossa base são os quatro grupos de 8 dentes, as 16 articulações. 16 no superior e 16 no inferior, estabelecendo aqui a base binária. Imagino isso agora, pois não temos 16 articulações. As grandes articulações são 13)

O máximo da razão humana se dá no número da besta - não precisa ir além dessas progressões

256 + 377 + 33 = 666

A função do tempo é a consciência e está ligado na têmpora.

No corpo humano é tudo por potência.

A matemática reforça a religião. 

2º=1; 2¹=2; 2²=4; 2³=8; 2=16; 2= 32; 2= 64; 2= 128; 2=256

E se você usar a base, você não escapa, pois tudo é introjetado.

A espécie emergiu em base 2 e precisou de milênios para chegar na base 10.

O que gera as patologias é a defasagem do tempo.

Decimal é acelerado, rápido. O binário é mais lento.    

2 elevado a zero é 1 (2º=1); 2 elevado a um é 2 (2¹=2); 2 elevado a 2 é 4 (2²=4); 2 elevado a 3 é 8 (2³=8) ...

10 elevado a zero é 1 (10º=1); 10 elevado a 1 é 10 (10¹=10); 10 elevado a 2 é 100 (10²=100); dez elevado à 3 é 1000 (10³=1000)

São progressões muito distintas e com velocidades diferentes de progressão.

No binário só existe o zero e o um. (0 - 1)

O binário não divide, não cria patologias. (se eu estou numa função eu vou nela até o fim)

Não pode misturar as coisas - separar o joio do trigo - desembolar o cotidiano.

Definir - sim e não

Se tem interesse - se tem um grau de importância - se tem um sentido - se tem significado - se não tem interferência - se tem atrito, se é de minha vontade - se é ético - se faço dentro do tempo certo (moral) - se é estético. E o mais importante de tudo - que retorno eu tenho.

Nunca devemos pedir nada a ninguém, muito menos a Deus. Nós somos efetuadores daquilo que vem da fonte. Deus paga, ele não é devedor - nós é que somos, por que não fazemos.

O aprendizado junto - fazer junto - colocar a mão na massa por que 60% da memória pertence ao tato. Mostrar pronto não ensina nada. Em tudo nós temos que participar. Não proibir, nem castrar a mão - por a mão na massa - usar o tato. O tato ocupa 60% das memórias do cérebro - os outros 40% são divididos entre outros.

O verbo é a dinâmica que permite a vida se manifestar.

Forma - função

DAR - DOAR

Dar é a forma sem função

Doar permite a função, fazer funcionar e não ficar ocioso.

DOAR tem que ter sabedoria (A), senão fica DOR.

Emprestar não é doar.

A pessoa não pode ficar ociosa, senão ela apodrece.

Quanto mais funcionar a forma, mais viva ela fica. Se não ela degenera.

A mãe se doa se ela faz o filho funcionar (doação é participação, fazendo junto a função).

Quando se dá não se pede nada em troca.

Se doar tem que fazer função. A doação é bom que venha acompanhada de uma ordem explícita.

LÓGICA DE POSIÇÃO MATEMÁTICA - (Baldani operava pela lógica, sempre)

Não existe matéria - existem diferentes estados de energia. Matéria e energia é a própria reflexão de si mesma.

Três chaves lógicas para montar qualquer estrutura: E - OU - NÃO

A chave dá o comportamento. Descobrir em qual lógica está montada a pessoa, ver qual é a chave. Há combinação de chaves.

A chave E só dá uma verdade - matéria e espírito - só tem uma entrada e uma saída, só tem uma verdade. A pessoa é feita com uma verdade, é dependente, não é capaz de ir em nenhum lugar sozinha, não liberta como indivíduo, medrosa, definida, constante, profunda. Essa pessoa tem que ser analisada ao contrário.

A chave OU funciona com 3 verdades - matéria ou espírito; o espírito fica do lado. Tem que definir a posição dele e não é fácil definir o indefinido. Ele joga sempre com 3 verdades - ou matéria ou espírito ou nada (não, negação). Ambíguo, incerto, obscuro, inconstante, superficial, materialista.

A chave NÃO está sempre ligada e quando vai engolir, desliga. É uma chave inversora. Ansiedade permanente, um circuito que não desliga.


O mais duro que existe no corpo é o esmalte dentário. Na natureza é o diamante.

Num processo inteiro não existem patologias.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Vida uterina

       Parece que já nascemos. Mas isso é falso. Ainda vamos nascer.
       Cada vez que eu nasço, forma-se uma nova possibilidade de nascer.
       Assim, vou percorrendo a vida em úteros. Não me ensinaram, portanto não percebo, mas estou sempre dentro de um útero. Sempre há um lugar mais amplo que eu, que me comporta e também às minhas necessidades vitais.
       Meu primeiro útero é cósmico. Mesmo estando eu já na matéria, pois sou uma célula ovo, vivo de mim em mim mesma e tenho meu alimento implícito, um vitelo. Ainda me sinto como uma matéria organizada qualquer que flutua no mar do Cosmos.  Rodo solta no mundo até que nasço em outro útero, o útero materno
       Dentro do ventre de uma mãe, alguém que me acolhe em seu espaço, venho do voo cósmico e me ato nesse ser, nessa mãe. Criamos um cordão umbilical e por aí recebo minha nutrição vital. Uma água tépida me envolve na bolsa que habito. Meu único impacto externo é a vida de minha mãe e nossa simbiose.
      Daí nasço, nesse que é o nascer mais popular: o parir da mãe e o respirar a plenos músculos. O ar entra e inspira e sai expirando e vivo. Mas vivo ainda em um útero, o útero do seio materno. Nesse seio vou ficar vinculada até quando me seja possível. Por um bom tempo não poderei me afastar desse seio. Mas que me seja suficiente e que demore para me ser artificial. Mamo em minha mãe e dela me afasto e me reaproximo e aí conheço o mundo. Fico neste útero até que o vertical me chegue.
      Quando estou na vertical, estou no meu novo útero. O útero da vida na Terra. Minha mãe de ventre biológico me entrega à minha verdadeira mãe: a Mãe Terra. Agora ela que me nutre e me sustenta. Vertical e em movimento, exploro essa minha nova mãe. Devo andar por ela curioso, amparado e nutrido de todos os seus sabores e cores, de onde virão os meus saberes. Deixo o mar inconsciente da espécie e me singularizo nesse vasto mundo de vida.
       Um dia meus dentes começam a trocar. Forma-se minha persona nas idades. Vou trocando terminais sensoriais e vou dando vida aos novos circuitos neurais que me farão pessoa viva no mundo. Vivo em um útero que vai permanecer dos sete aos vinte um anos, aproximadamente. Nesse útero vivo o meu processo de maturação de bio-logia na lógica da vida da mãe Terra, chegando no tempo a percepção que de um planeta caminho a um sistema mais amplo, um Sistema Solar. sou uma unidade num sistema de diversidades, estou num sistema que reúne outros planetas, outros eus. Desse patamar posso ir rumo ao próximo útero. De um planeta habitante de um sistema solar, eu, um filho de uma família que está em sociedade, vou conhecer galáxias.
       Do sistema solar ao útero da Via Láctea. Um longo útero, lugar de um processo de contínuo desgaste funcional. Dos tenros 21 anos aos maduros 56. Nesse período de vida dou forma ao ser nutrindo-me no leite da Via Láctea, fonte de inspirações profundas e transformadoras, de mim mesma e do mundo ao meu redor. Venho de um caminho que começa no mar inconsciente da espécie, morrendo em um útero, nascendo em outro, continuando meu caminho, explorando meus horizontes de eventos, atravessando fronteiras no movimento de trans-formar. Na matéria chego no ápice e declino em seus desgastes. Experimento os êxtase e gozos, para enfim sossegar na quietude da plenitude. A matéria corrompe e o espírito avança. Tempo de integrar os centros vitais cerebrais em uma unidade, na amplitude de uma galáxia. Uno meu pensar, meu sentir e meu agir, caminhando na convergência que liberta o espírito. Vivo submersa nas fontes de leite das tetas de Via Láctea.
       Uma vez madura, tenho coragem de deixar as tetas seguras da Via Láctea e mergulho no Universo sem fim. No corpo vou desgastando, mas na mente vou avançando, aproveitando a força desse útero universal de lucidez. Tenho domínio do aparelho e canalizo as forças de alta frequência, para que se manifestem aqui e possam harmonizar nossos centros de vivência, de sentir e de pensar. Fazemos na vida a mudança pelas sabedorias que chegam de reinos do universo infinito.
       Se avanço na vida, e aqui continuo forte, chego aos 84 anos e posso vir a ser clarividente. Nessa idade da persona encontro o último útero de vida aqui na Terra, a mãe que me entregará ao Cosmos, para onde retornarei. Esse é o útero da transição, pois o próximo útero ainda nos é desconhecido. Mas, habituado que estou a mudar de úteros, não sinto receio do espaço desconhecido que virá, pois sei que será mais um útero cuja finitude é também previsível ou imaginável. E que por ali meu caminhar poderá continuar. Eu venho do primeiro útero, que é também cósmico, então poderei aí estar, de volta ao mar inconsciente e ancestral da espécie.
       De ciclos em ciclos, vou fazendo o viver da matéria em entropia e do espírito em sintropia, holotropia, neguentropia. Do útero cósmico o ovo desce ao útero materno e passa a ser. Daí se liberta e alcança o útero do seio, onde passa a estar. Desse útero alcança o útero da Mãe Terra, que o libera ao útero do Sistema Solar, que o entrega ao útero da Via Láctea, que o amplifica no útero do Universo, que por fim clarifica no útero da clarividência, Útero do Finito Estar do Infinito Ser. Oito úteros de vida uterina do macacão de carne aqui na matéria.

Créditos: Essa matéria aprendi com Prof. Mário Baldani, nos meus cursos de formação em Biocibernética Bucal. Como estou chegando na maturidade dos 56, muitas das palavras aí colocadas já são minhas.

sábado, 2 de junho de 2018

Aula de Biocibernética Bucal

       Coloco aqui em anexo esquema mental que fiz para desenvolver a fala numa aula de Biocibernética Bucal, que eu e Saulo Teles ministramos, na Escola Quântica de Brasília, em 19 de maio de 2018.
       Esse esquema dá linda e boa conversa. Quem sabe começar mesmo a postar aulas em mídia áudio visual?
       Vai o gráfico, por enquanto, mas estou mesmo sonhando com aulas publicadas em vídeos. Temos uma prévia do possível em um vídeo que Yan Affonso produziu a partir dessa aula, cujo esquema compartilho aqui. Confiram no Youtube clicando aqui.



sexta-feira, 1 de junho de 2018

A célula



Hoje coloquei meus antigos vídeos no Youtube.
Estavam guardados e são lindos.
Fiz em um tempo que tínhamos nosso curso de Biocibernética Bucal online, coisa que estamos pensando em disponibilizar novamente.
Segue aqui um deles que fiz me inspirando nas histórias que nos contava Mário Baldani.
Tantas histórias, tanta poesia.
Tudo para compreender que a boca é importante órgão que constitui um Todo complexo.
A Biocibernética floresce no Bucal. E isso começou em uma célula.

Os outros estão no canal do Youtube

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O dente do siso: um caso

     Sara vem ao nosso consultório por estar com seus quatro dentes do siso inclusos. Mas isso, para ela, não é um problema. Não incomoda, não dói, não faz diferença.
     Ela tem seus trinta anos, é independente financeiramente, mora em outra cidade que não a de seus pais, tem profissão em uma suposta vocação que lhe faz sentido e lhe faz sentir estável e segura. Mas, apesar dessa circunstância, seus sisos estão inclusos e sua eclosão está atrasada uns nove anos ou mais. Sua dentista fala que é bom tirá-los, que pode ocorrer reabsorção óssea, que suas presenças irão comprometer os outros dentes, a arcada e etc. Isso que esclareceu a sua dentista é mais ou menos o que fala a odontologia como ciência.
     Todavia Sara não quer isso. Se fosse para fazer cirurgia já teria feito há mais tempo. Ela não quer se submeter a procedimentos invasivos. Afinal, ter seus quatro sisos inclusos não é um problema para ela.
    Assim, é nessa condição que ela procura a BioCyber. Sua mãe tem cultura psicológica e filosófica e já ouviu falar de dentistas diferenciados e, bem, Sara resolve conferir a postura do dentista diferenciado por influência de sua mãe. Na primeira sessão com o odontólogo da clínica ela escuta sobre a proposta biológica da Biocibernética Bucal, concorda com alguns pontos e com outros não.
     Como metáfora usamos a ancoragem do dito popular que diz que o siso é o dente do juízo. E Sara tem juízo! É o dente da maturidade e ela é madura e independente de seus pais. "Se for algum conflito aí, será muito inconsciente", afirma.
    O odontólogo esclarece que a liberdade de decisão sobre seus sisos é dela própria, "Você pode deixá-los ou tirá-los. Eu, não tiraria", afirma ele. "Acredito que eles possuem sua função no todo, por algum motivo estão inclusos e podemos trabalhar por eles, ou seja, ganhar seu espaço, fazer estimulação, estabelecer os trabalhos de parceria sistêmica e deixar a função do siso acontecer."
     "Faz o seguinte, Sara, experimente uma sessão de terapia miorelaxante e nela procure entrar em contato com você mesma. Veja se descobre a sua solução.", sugeriu o odontólogo.
     E assim, Sara chega ao meu consultório.
     Quando a vi pela primeira vez, sentada na sala de espera, a senti um tipo fechado. Pouco sorriso, gestos contidos. A acolhi em minha sala, começamos a conversar e ela se abriu um pouco. Nessa conversa me coloca sua questão, que são seus sisos inclusos, que não lhe representa um problema.
     Expliquei-lhe como funciona o trabalho psico corporal, quais seus objetivos centrais e como ela deveria proceder sendo agente do trabalho. Fizemos uma sessão de 50 minutos. Ao final, quando ela retornou à vigília, lhe perguntei o que tinha sentido. Ela falou: "nada!"
     Nada? - perguntei eu. Mas você sente se relaxou? - Sim, relaxou. "Mas de que eu fosse descobrir, revelar, vir um insight? Isso, não senti nada!"
       Assim, o percurso que tomei primeiro foi auxiliá-la a constar que relaxou, que seu estado corporal mudou e que esse é o primeiro objetivo da terapia neuromuscular e que, então, tínhamos alcançado esse objetivo. Em diálogo, também trabalhamos que seu problema (ou a queixa que a trouxe à clínica) não é um problema, mas que poderia vir a ser no sentido de que a dentista terá que monitorá-los, ela vai ter que tirar radiografias periódicas e os dentes terão que se tornar como um bichinho de estimação que ela vai ter que adotar e cuidar cotidianamente.
    Como orientação clínica, reforcei a necessidade do uso dos hiperbolóides*, que já haviam sido recomendados e não haviam sido utilizados há um tempo atrás. Lembrei que isso representa uma ação importante ainda não concretizada, sendo este um exercício que estimula os músculos pela mastigação e, consequentemente, os ossos. (Aqui aparece o sentido dos dentes do siso inclusos aos 30 anos, a questão que não é problema e que passa pelo posicionamento de um sujeito adulto, algo que procuro trazer pela conversa indireta, não explícita. O sujeito da ação é um dos focos de meu trabalho).
     Assim, me despedi de Sara em nossa primeira sessão, mas permaneci com minhas reflexões sobre o dente do siso e sua simbologia na Biocibernética Bucal. O dente da maturidade, da máxima maturação biológica e fisiológica do corpo humano, o encerramento de um ciclo de desenvolvimento para a abertura de um outro, o momento da tomada de decisão. O siso do de-ciso! O siso representa a chegada na cosmovisão, é o pico, a chegada no clímax de um caminho, de um processo biológico, de lógica da vida.
     Penso que talvez Sara não tenha conseguido construir uma cosmovisão. Lembro que eu havia lhe falado antes da sessão da terapia miorrelaxante que não existe bola de cristal, pílula mágica ou o insight revelador instantâneo e que a compreensão de si é um processo, um caminho pessoal de vida. Na sessão não viu a si, não se percebeu, talvez nem soube se escutar, pois ficou ocupada esperando o insight e perdeu o momento concreto da sessão, sentindo seus efeitos no corpo físico, nossa maior concretude. Constatando isso, fico sem indícios de cosmovisão.
     E, como profissional, sei que não adianta des-estressar o sistema se a pessoa torna a cair na roda da vida e se re-tensionar continuamente, desligada de si e conduzida pelo piloto automático do viver, ainda que de uma "boa vida". É necessário conscientizar-se do programa configurado, seja ele qual for. Reprogramar o necessário, ou o suficiente, e caminhar com discernimento na balança da harmonia da vida. Um constante fluxo de tensão entre matéria e energia.
     Para Sara restaria a questão: "Por que isso para mim, nesse momento da minha vida?" - Ela está perto do quinto setênio tendo que tomar uma decisão relativa ao terceiro. A vida a convida a um desafio: ela necessita tomar uma decisão!
     Eu não sabia se a veria de novo, afinal, ela morava em outra cidade e estava em Brasília só para visitar a mãe. Então, fico com meus pensamentos reflexivos, agradecendo a ela a possibilidade dessas reflexões e da aprendizagem que seu caso estava me trazendo. Com a sua ajuda avalio que, se a chegada do siso está relaciona à capacidade de atingirmos uma cosmovisão e à maturação biológica com sua máxima possibilidade de propriocepção, seria provável que Sara, como sistema, não tenha atingido isso. E, talvez, ela tenha sentido "nada" na sessão de terapia corporal por ainda estar encapsulada e inclusa, tal qual seus sisos. (Por sorte naquele mesmo dia eu tinha atendido outra pessoa que, em uma primeira sessão, tinha sentido muito, confirmando que a questão não passa pela técnica, mas pelo sujeito).
     Um dia, para minha surpresa, Sara, retornou ao consultório. Queria saber de mim se havia garantia de que a técnica fosse indicada para o que ela esperava: movimentos dos tecidos e consequentemente, nos dentes. Bem, dando garantia de que a terapia realmente influencia no movimento dos tecidos moles e duros, ela fez mais uma e mais outra sessão enquanto esteve em Brasília e nossa última sessão foi um presente, pois entramos em três na sala: eu, Sara e um estagiário que aprendia sobre a terapia neuromuscular que pratico. No meio da sessão eu trouxe o tema para reflexão:
     "Veja bem, Sara, aqui nesse ambiente temos três casos distintos de siso. Eu, que os retirei cirurgicamente aos doze anos, após tratamento ortodôntico. Não pude vivenciar o momento coerente do processo, pois fui interpelada pela situação clínica da época. Minha relação com a maturidade foi marcada por um longo caminho de compreensão apartado da eclosão de meus sisos; você, que os tem inclusos ainda hoje ao 30 e poucos anos e está precisando pensar sobre isso, sobre essa situação biológica. A vida te trouxe a esse aqui e agora; e João, que tem 18 anos e os tem nascendo, eclodindo exatamente neste momento de vida. Seus sisos resolveram eclodir no tempo certo e nós vemos João caminhando para a sua maturidade, aprendendo aqui conosco uma função social. João não está no mundo nem como o eu e nem como você. Que tipo de dinâmica terá ele com sua maturação? Perceba que jogo interessante fazemos nós três aqui e agora com esses diferentes espelhos!" Não tenho completa informação do efeito concreto da ação, mas senti que Sara percebeu algo nesse momento.
       Sara foi embora para sua casa, sua vida em outra cidade. Levou consigo os hiperbolóides e a promessa de estimular os dentes a eclodirem. Decidiu não fazer a cirurgia invasiva e vai adotar o cuidado monitorado. Levou junto a imagem de João, um jovem que vivia o auge da situação, rumando para a sua cosmovisão, coisas que ela deverá descobrir por si mesma, assim como eu tive que descobrir e construir por mim mesma.
     Para mim, em meu processo reflexivo, sinto que faz muito sentido a relação entre o que cada um vive e a sua própria fisiologia. Tudo está cheio de símbolos e decifrar esses códigos e entender os símbolos é que seria o "grande barato" de estar vivo. Sara, talvez, não tivesse ainda visão de todo. Mas depois de nosso encontro, com certeza, tem um pouco mais.

Um caso de 2008 da BioCyber - Brasília
Editado em fevereiro de 2016.

* Hiperbolóides são estimuladores musculares via mastigação de uma peça pequena (que possui diferentes tamanhos, para diferentes bocas), feita de material favorável, tipo um silicone.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Em 2012, lancei o livro A Biocibernética Bucal em verso e prosa.

Falo dele aqui hoje, pois vou inserir nesse blog alguns posts com o marcador "Biocibernética Bucal".
Não é meu campo de ação, mas é um campo parceiro.
A Biocibernética Bucal (BCB) entrou em minha vida no ano de 1988 para não mais sair.
Fiz cursos, capacitações, participei ativamente do GEBICI, um de seus grupos de estudos, e até me converti numa professora de BCB. O ser professora de BCB foi o que me levou ao mestrado e ao doutorado, fazendo com que eu retornasse mais ao meu foco (Psicologia e Educação), mas sem abandonar os ensinamentos de meu professor Mário Baldani.
Hoje em dia, integro tudo numa só unidade.