Minha razão

Olá!!
Criei esse espaço para postar subjetivações subjetivantes do sujeito que sou!
Filosofia, psicologia, educação.
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terça-feira, 11 de julho de 2023

Mundo e adoecimento

Nós estamos numa sinuca de bico.

Adoecemos o mundo, que agora nos adoece.

Não conseguiremos des-adoecer o mundo estando no mundo adoecido.

O mundo adoecido precisa de seres sadios.

Os seres sadios des-adoecerão o mundo.

Mas o mundo está adoecido! 

Como conseguiremos manter os sadios, sadios?

Não é medicar o doente,

É terminar com o mundo adoecido.

É natural e oscilante - não existe total estabilidade na natureza.


segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A cura neuroplástica

O que vou escrever aqui e agora é um resumo do capítulo 03 da livro O cérebro que cura, de Norman Doidge, da edição de 2016, 1a. edição da Editora Record. Comecei meus estudos com esse autor em 2017, mas Doidge lançou seus trabalhos pelo menos dez anos antes disso. Eu louvo seu trabalho e muito o agradeço. Esse autor entra para a minha história como uma de minhas importantes referências. Em respeito ao seu saber, resumo aqui aos interessados sua tese central, aquilo que encontrei de mais preciso sobre a sua própria criação ao estar cercado por tantos seres criativos, os nossos magos da cura neuroplástica que ele entrevistou, visitou e conviveu.

Neste capítulo 03 Doidge apresenta as etapas da cura neuroplástica, mas antes lembra  alguns princípios e processos da dinâmica neural.

O cérebro é um órgão vivo, que produz a si mesmo o tempo todo, que está em processo ininterruptamente e que adora crescer e se transformar. Por não sabermos disso, acabamos atrofiando esse órgão tão poderoso. E como eu sei que esse saber pode levar nossa espécie a um desvio dramático em seu curso, quero aqui compartilhar esse conhecimento. Ainda temos tempo para tomar um rumo muito mais saudável e satisfatório como vida e espécie e esse saber só nas mãos dos dominadores nos tornará mais e mais prisioneiros das políticas errôneas e desastrosas.

Primeiro precisamos considerar as questões de funcionamento neural. Podemos usar a mente para fortalecer circuitos neurais específicos em partes do cérebro envolvidas no ATO PRESENTE. A plasticidade competitiva e a reprogramação cerebral participam desse exercício. Caminhar muito conscientemente e colocar muita atenção no que faz no momento presente ajuda que neurônios que estão destinados a sustentar dores ou neuroses possam ser "sequestrados" para saúde e bem estar.

Segundo, todos precisam saber que ativar o corpo melhora a função celular geral de neurônios e células gliais. O neurônio é o que participa das funções de neurotransmissão e as glias são as células responsáveis por manutenção, desintoxicação, proteção, geração de células novas, reprogramações e outra infinidade de funções que nem podemos imaginar. Mover-se e ativar-se desencadeia FATORES DE CRESCIMENTO NEURAL E GLIAL e melhora muito a circulação cerebral.

Para nos beneficiarmos da nossa capacidade neuroplástica podemos usar estratégias que usam a mente e estratégias que usam o corpo. Ambas proporcionam circulação de energia cerebral. Lembrando que por CEREBRAL precisamos visualizar um sistema que está no corpo todo e não só em sua parte encefálica (dentro da cabeça).

Considerando esse dois "lembretes" básicos, Doidge apresenta três processos gerais que podem ser traduzidos como leis da neuroplasticidade.

A primeira é a do não uso adquirido. Para ilustrar, não uso adquirido é quando uso muito, muito meu lado dominante (escrever com a direita) e todo o meu potencial de usar o lado não dominante fica esquecido por um "não uso adquirido". Esse fenômeno é muito comum em pessoas que tem algum tipo de "lesão cerebral".

A segunda é a do cérebro ruidoso (tema tão importante que tem outro post aqui no blog sobre isso).

Em resumo, o cérebro ruidoso é aquele que tem muitos circuitos atuando em "pano de fundo". E são assembleias de neurônios que poderiam estar sendo recrutados para sistemas mais definidos e que nos poupariam muita energia. Todos temos um cérebro altamente ruidoso em nossa cultural ocidental.

A terceira lei é a das assembleias neuronais. Os neurônios são indivíduos que vivem muito melhor em grupos e, portanto, formam redes (que um dia o humano se veja como um neurônio, amém!). Existem assembleias programadas em nosso cérebro, principalmente no campo cortical, aliando sistemas. E isso funciona por cooptar os próximos, desligar outros próximos, recrutar os distantes, entre outras ações. Um sistema maravilhoso de cooperação, diálogo, construção e re-construção.

O mais dramático de nossa neuroplasticidade é seu caráter paradoxal. Aquilo que é nossa maior benção como ser vivo é nossa maior maldição como espécie. Esquecemos que somos plásticos e nos contentamos com nossas rotinizações cotidianas. Isso nos cristaliza, nos impede, nos vicia e nos aprisiona. Infelizmente!

E as lesões cerebrais são oportunidades de reprogramação neural o tempo todo. Basta ter um sujeito intencionado. E sobre sujeito, bem, o sujeito vocês sabem, é minha tese de doutorado. A neuroplasticidade só reafirma a necessidade da emergência de um sujeito. Ele pode desprogramar as resultantes de uma lesão e como vias de construção de uma lesão cerebral temos: as toxinas, os derrames, as infecções, as terapias de radiação, as pancadas na cabeça e as doenças degenerativas.

A integração mente e cérebro nos indica que temos os processos de longo prazo (os vinculados à estrutura cerebral) e os processos de curto prazo (os vinculados ao ato mental). Um tem efeito sobre o outro, com forma e função integradas e dinâmicas.

Ao compreender essas leis e dinâmicas do sistema nervoso abrimos as portas para o entendimento das etapas da cura neuroplástica. Doidge afirma que essas etapas não são fixas e nem todas necessárias para promover algum tipo de cura. A depender do sujeito e da necessidade, umas etapas são mais cruciais que as outras e em alguns casos todas se fazem presente. Aqui comparecem a circunstância, o território e as configurações. Elas são cinco:

1. CORREÇÃO DAS FUNÇÕES CELULARES GERAIS DOS NEURÕNIOS E DA GLIA.

aspecto ligado ao compromisso pessoal de manter corpo ativo, mente ativa e, principalmente, criativa.

2. NEUROESTIMULAÇÃO

estimulação neural pode se dar por fatores externos (o mundo) e por fatores internos (o sujeito).

3. NEUROMODULAÇÃO

modular via autorregulação, pois os sistemas vivos são autorregulados, ou seja, possuem em si seus próprios recursos para a construção da saúde e da enfermidade.

4. NEURORELAXAMENTO

sistema sob tensão é sistema com falhas. Dormir é nosso melhor momento de neurorelaxamento, pois é a hora em que a Glia mais trabalha nas desintoxicações. Sistema Nervoso Autônomo e Sistema de Ativação Reticular desregulados deixam o todo cerebral em tensão. Para curar, muitas vezes, é necessário começar por aqui.

5. NEURODIFERENCIAÇÃO

Saber usar a maravilhosa capacidade de diferenciação das células nervosas é nosso maior benefício no caminho da cura. Célula de coração será sempre célula de coração, célula de pulmão também. Célula de músculo, célula de osso até são células vivas, mas a capacidade de diferenciação é algo inerente ao ser célula de sistema nervoso. O que era destinado ao ver pode ser destinado ao ouvir, o que está destinado ao pensar pode ser cooptado pelo sentir. Usar a intenção consciente para ajudar um neurônio a se diferenciar é uma das possibilidades mais incríveis da vida.

Espero que esse texto possa ajudar aos muitos de nós que precisam de cura.

Estou ao dispor para dialogar, ampliar esse estudo e contribuir com o aprimoramento de nossa espécie tão imbecilizada pelos momentos históricos atuais.



terça-feira, 10 de março de 2020

A medicina germânica de Hamer

Hamer já morreu, mas deixou um legado.
Ele produziu cinco leis biológicas, com base na sua vivência pessoal e profissional de vida e morte, saúde e doença, cura e enfermidade.

Seguem as mesmas, para quem quer acesso fácil.

1a. lei biológica
A doença tem origem em um CHOQUE que acontece simultaneamente em 3 planos: o psíquico, o cerebral e o orgânico. O biochoque é AGUDO/DRAMÁTICO; SOLITÁRIO; INESPERADO; SEM SOLUÇÃO.

2a. lei biológica
Todo problema tem duas fases
Uma fase ativa, neurovegetativa, simpática, estressora.
Outra fase pós-conflitiva, vagotônica, parassimpática, resolutiva.

3a. lei biológica
Nossa experiência é processual
normotonia - fase ativa - fase resolutiva - normotonia
Dependendo da área cerebral ativada no choque teremos comportamentos distintos no nível orgânico e essa correlação é indicada pelas origens embrionárias dos tecidos.

4a. lei biológica
Não existe uma "culpa" externa pela enfermidade.
Os diferentes grupos de micro-organismos (fungos, bactérias, vírus) respondem a uma correlação entre camadas embrionárias e partes do Sistema Nervoso.

5a. lei biológica
Cada enfermidade é parte de um programa natural ou SENTIDO BIOLÓGICO. São processos que fazem parte da evolução da vida. Não existe malignidade ou benignidade, só EVOLUÇÃO DA VIDA.

E o Hamer na wikipédia, com consulta feita agora:
Ryke Geerd Hamer (17 de maio de 1935 - 2 de julho de 2017[1]), um ex-médico alemão, foi o criador da Nova Medicina Germânica, formalmente conhecida apenas como 'Nova Medicina', um sistema de pseudo-medicina que alterca a permeabilidade da cura do câncer.[2]A Liga Suíça do Câncer descreveu a performance de Hamer como "perigosa, especialmente no que tange a inferência dos pacientes à falsa sensação de segurança, logo estando privados de outros tratamentos efetivos".[2]

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Quem adoece é o todo e não a parte

       Nossos sintomas são nossos parceiros de caminhada. Quando aparece um sintoma, seja ele psíquico ou fisiológico, importante compreendermos o que esse sinal procura alertar. Posso passar por ele mais descompromissada, olhando-o como se ele fosse isolado de um todo maior. Entretanto, quando permito ampliar meus receptores, percebo que esses sinais fazem parte de um caminho de desenvolvimento e podem me ajudar a crescer e transformar.
       Já comentei em outras postagens que transformar dá trabalho e assim adiamos a transformação para um dia qualquer, que não sabemos bem qual é. Todavia, quando emerge um sintoma forte o sistema está falando: luz vermelha, há algo em seu percurso que é necessário atentar. Um sintoma que cresce sem desvios pode levar o sistema todo a colapsar.
       Mas existem os remédios e eles aplacam os sintomas. Quantos são os pacientes que perdi para os remédios! Nem tenho como contar. "Ah, agora estou tomando remédio e dormi bem!" ou "Ah, agora estou tomando o remédio e consegui acordar bem!" ou "Ah, agora estou tomando o remédio e consigo o foco no meu trabalho e estou mais calmo com meus filhos!" E por aí afora!
       Só que desconsideramos que nosso cérebro, por funcionar por auto-regulação, pode produzir substâncias por ele mesmo que podem regular meus sinais psíquicos e corporais. Só que para conseguir isso, não posso adiar uma transformação para um dia qualquer que nunca chegará.
       Quando falamos em sintomas fisiológicos soma-se a possibilidade de compreendermos que o sintoma "veio por agente externo". Uma gripe foi um vírus, uma inflamação foi uma bactéria, um desarranjo foi um fungo. Só que com isso anestesiamos a noção de que o fungo, ou bactéria ou vírus se desenvolveu em mim, um corpo integrado. São níveis qualitativos distintos, um fisiológico, um emocional, outro racional, mas todos são camadas da mesma unidade.
       Não sou a primeira que vou defender isso e nem serei a última, mas considero relevante aproveitar o sintoma para crescer, para desenvolver, para transformar. Existem livros que universalizam os signos, mas defendo que os mesmos precisam fazer parte de um diálogo com o ser singular que apresentou o sintoma. Talvez uma reação alérgica nos pés (muitas vezes resultantes de uma colônia de fungos que escolheu esse local para se desenvolver) pode significar "não quero caminhar", mas talvez possa significar "cansei de caminhar". Quem sabe possa ainda significar "quero alguém para caminhar comigo" ou "cansei de caminhar ao lado desse alguém". Não temos como determinar, não temos como precisar. Estaria algo nos pés ligado ao caminhar? Ou estaria ligado ao suportar, ao estabilizar, ao parar? Muitas possibilidades se abrem.
       Daí a importância de falarmos em sujeito. O sujeito do sintoma. Nenhum profissional tem o direito de marcar um singular com o social, ainda que de saída saibamos que esse sujeito só existe por ser social. O singular precisa do direito de fala. Nosso trabalho é encontrar armadilhas, desarmar contradições, indicar confluências, sinalizar gatilhos, apontar desdobramentos.
       Um bom profissional de saúde educa para a consciência e não se sobrepõe, assumindo um lugar de dono do saber, de portador de todos os códigos e de detentor da resolução. Podemos conhecer as medicinas, podemos colocar em confrontos as experiências daqueles que nos procuram, mas jamais devemos assumir o lugar de soberano ante todo o saber.
         

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Sobre práticas alternativas em saúde

       Para compreender o que são práticas alternativas em saúde faz-se necessária a compreensão da dicotomização produzida por anos de racionalismo. Com o tema da subjetividade abrimos caminho para as integrações necessárias entre os polos opostos: natural-artificial; racional-irracional; coletivo-individual; cultural-biológico; simbólico-emocional; impessoal-pessoal; eu-não eu, dialogizando aquilo que havia sido separado no caminho. .
       Outro ponto é: se certas práticas funcionam positivamente, por que não podemos utilizá-las na prática profissional em saúde? O termo "alternativo" está vinculado ao "não-científico"; ao "não-objetivo" e, portanto, está desvalorizado. O senso-comum não tem valor em culturas muito racionais e científicas. Mas, se são positivas e produzem saúde, por qual razão descartá-las?
       Outro ponto importante é que as técnicas não são um fim em si mesmas, pois ganham sentido somente dentro de um marco teórico que a sustente e instigue. Assim, não basta aplicar técnicas de forma abstrata, como se isso bastasse ao processo. Sempre que um profissional foi treinado dentro de uma estratégia e que tenha responsabilidade sobre as intervenções e desdobramentos, ele pode utilizá-la, desde que sempre olhando o todo e não a estratégia por si só.
       As estratégias na nossa área psicológica irão ser efetivas na medida em que forem produtoras de sentido, geradoras de novas emoções, novos entendimentos e reflexões que enriqueçam o processo terapêutico.
       As estratégias devem sempre considerar a pessoa como sujeito potencial de sua transformação, não como um processo de cura milagrosa que o atinge de fora, deixando-a no lugar de um ser passivo. Toda estratégia deve ter um caráter relacional e deve prestigiar o caráter interativo do processo de transformação.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

O trabalho no caráter

       Somos seres desviados e desviantes. As restrições, que acontecem em multidimensionalidade (corporal, psicológica, social, cultural), impedem o fluir autônomo e saudável. As restrições funcionam como diques, obstáculos. Liberar é soltar o movimento das ondas e ajudar o corpo no auto-regular-se..
       Na terapia craniossacral usamos toques suaves para desmobilizar cistos energéticos. O cisto pode estar longe do ponto do trauma, pois ele se instala onde encontra uma resistência à propagação da onda energética do impacto. Se as mãos seguraram o corpo na hora da queda, o cisto pode estar instalado no ombro, ou no pescoço, ou até mesmo na cabeça, dependendo da força do impacto e da propagação.
       Quem trabalha com dor deve sempre lembrar que a dor é multifacetada e com mais de uma máscara. Uma dessas máscaras é a dor referida, ou seja, dói aqui, mas o foco é lá. Da mesma forma um cisto energético, que se instala onde a força da impacto é anulada pela força de resistência dos tecidos do corpo.
       Muitos cistos, muitas marcas, constroem o nosso caráter, tema que já pude trabalhar em outro post desse blog. O caráter é nossa armadura, nossa forma que formatou o fluido da configuração, onde estacionou a personalidade. É como um modelo pré-fabricado, um molde que nos coloca na síndrome da repetição, forma de expressão da neurose.
       No nosso trabalho com toques suaves e diálogos prospectivos vamos ajudando a expressão da consciência que dissolve os cistos. Na conscientização vamos saindo das resposta automáticas de nosso robô 0 ou 1 e permitimos a expressão da resposta espontânea mais natural, menos artificial.
       Uma resposta se difere de uma reação. A reação é automática, a resposta é espontânea. Quando a vida te colocou um desafio você teve uma reação ou uma resposta?
       Todos nós, no geral, somos muito reativos, pois atuamos a partir do caráter automaticamente, do modo como ele foi programado. Liberar os cistos é trabalhar na desprogramação, permitindo novas re-programações. Quanto mais reativo somos, mais basal, mais reptiliano, mais luta ou fuga, mais garantia de território e sobrevivência sou. Assim, dessa forma, para chegar a dar RESPOSTAS à vida, precisamos trabalhar o caráter. Precisamos trabalhar algumas das rotinas seguras, muitas delas contrárias à natureza, onde nos estabelecemos e fizemos nosso patamar, nosso alicerce.
       Na psicoterapia conjugada com a terapia craniossacral desenvolvemos  o sentido de viver a vida como um mistério e deixamos de entendê-la como algo a administrar.