Minha razão

Olá!!
Criei esse espaço para postar subjetivações subjetivantes do sujeito que sou!
Filosofia, psicologia, educação.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Dois símbolos

Em 2011 comecei esse blog. Agora, em 2016, eu o sinto vivo, maduro.
    
  E percebi que dois símbolos ainda não estão aqui:

Um,  o céfalo caudal, o espiral neural. Símbolo que qualifica meu trabalho psicocorporal e de ecologia humana com meus pacientes.

Outro, o link para um artigo publicado. O artigo que compartilha com a comunidade acadêmica os primórdios da pedagogia em si, quando ainda de si.
Estou avançando nos estudos e nas práticas que consolidam a pedagogia em si, e hoje percebo que ela é tão ou mais importante ao professor, que ao aluno. Se o professor não mergulhou num caminho do conhecimento que o integre com o que conhece, ele não irá realmente concretizar esse caminho aquele que, por alguns momentos do seu desenvolvimento, é seu aluno.


domingo, 18 de setembro de 2016

Um caminho pedagógico

      A psicologia compreende algumas coisas e faz algumas propostas. Problematiza seu tema de estudo e produz alguns experimentos que lhe possibilite confirmar suas hipóteses.
      A pedagogia, por sua vez, busca caminhos de transformação pela via de construção do conhecimento. Ao contrário do que se defende em algumas instâncias, a educação é a possibilidade de ajudar um outro a produzir seu próprio conhecimento. A pessoa precisa conhecer o que já se produziu, mas com base nisso deverá produzir o seu próprio, senão o conhecimento não acontecerá nela. Ela irá se informar, se aproximar, mas poderá esquecer. Ou então poderá se mecanizar no encontro com o conhecimento, reproduzindo-o automaticamente, sem saber muito bem do que está falando, pois reprodução mecânica de informação não é relação de conhecimento vindo de um saber. Um saber que, como diria Baldani, vem de um sabor experimentado e conhecido.
       Um de nossos desafios no lugar de humano é a dialética da sujeição e do sujeito. A que Eu me sujeito? Um certo grau de sujeição é necessário, senão, não dialogo. Preciso sujeitar-me a onda social, mas posso dialogar com ela e tensioná-la. Esse é o jogo do sujeito e do social.
       A dificuldade nesse jogo mora no inconsciente, no oculto, pois ele é surpreendente. Entretanto, é aí que mora também o poder criativo, o poder de gerar o novo.
       O que é um condicionamento? Essa é uma das primeiras categorias que marca o caminho da psicologia como ciência. Algumas coisas passam a ser condicionadas. E quando isso acontece, não precisa mais sujeito. A pessoa funciona perfeita na onda social, sem tensioná-la. Por isso alguns de meus colegas trabalham para os grandes sistemas, ajustando as pessoas ao seu ciclo de forma que fluam, não sofram, produzam o necessário e permitam ao sistema seguir funcionando.
       Mas sabemos como psicólogos que o não condicionamento também acontece. Alguns saem da métrica e não conseguem ajustar-se ao normatizado. É aí que entra o grande desafio da psicologia: explicar os desviantes da norma.
       Então, percebam: uma onda social e um sujeito. Sou a onda ou surfo na onda? O que é a onda? O que é o sujeito? O que é uma pessoa assujeitada? Quem pode nos mostrar isso é um caminho pedagógico. O caminho do conhecimento. Do conhecer o mundo, aprender a lê-lo e conhecer o sujeito que lê o mundo, proporcionando a integralidade do conhecedor e do conhecimento.
       E a estratégia de uma pedagogia em si coloca o objeto integrado ao sujeito, na vivência concreta do conhecer. O que transforma é a pedagogia. A compreensão é subjetiva/objetiva e o processo é pedagógico de si e em si mesmo. O Eu em autopoiese.
       Muitos sabem o quanto a pedagogia transforma. Daí as constantes interferências e abandonos nesse campo. Muitos preferem seguir nos condicionamentos, tentando perpetuar uma robotização do humano. E nesse trabalho a psicologia abre seus leques e dialoga com outros campos, dentre eles, a pedagogia. O ser humano precisa estar no mundo, importante conhecê-lo sentindo-se parte dele.

sábado, 17 de setembro de 2016

Onde habita a transformação?

       Fico intrigada com certos textos, supostamente canalizados por entidades não materiais, que afirmam questões relacionadas aos momentos de transformação ou conexão com o todo. Muitas vezes esses textos trazem alento, mas colocam a questão em termos de: "esse é o momento! Abriu-se o portal, aproveite!" Seria assim mesmo? Seria fato que abrem-se portais e fecham-se portais?
       Minha experiência como psicóloga e psicoterapeuta, ou mesmo como ser humano em busca da transformação de si, me deixa pensando que vivemos momentos de transformação acelerada, principalmente em se falando de século XX e século XXI. E essa mesma experiência concreta me indica que o que vivenciamos faz parte de uma grande rede onde o que acontece com a parte acontece também com o todo. Nosso planeta vive algo não fragmentado e sim contínuo. O ser humano faz parte desse processo na medida em que ele, em sua existência, realiza a conexão entre o material e o imaterial. Fazemos parte de um macrossistema que tem em si uma cadência onde o que acontece faz parte de uma orquestra harmônica e uníssona. Sob essa perspectiva prefiro pensar que os portais estão sempre abertos e que o que faz a diferença é a conexão de cada um com eles.
       Cada ser humano é, em si, um microssistema no qual o que ocorre fora ocorre também internamente. E a transformação reverbera, seja de dentro para fora, seja de fora para dentro. São processos integrados e simultâneos. Por alguma via precisa começar. Se está difícil perceber a mudança vinda de fora, importante começar a reverberação por dentro, por si mesmo.
       Assim, cabe a cada ser humano singular cuidar de seus aspectos de transformação. Assim poderemos afinar nosso tom ao da orquestra universal. É um trabalho de ajuste de frequência do Eu ao Todo. E isso pode ser feito a qualquer momento, desde que chegue o sinal: "chegou a hora! É agora! Não posso mais ficar passivo vendo tudo acontecer e perder o bilhete de entrada no trem que leva rumo às frequências vibracionais diferenciadas."
       A energia é injetada a todo momento no sistema e cada um pode reconectar seus sentidos nessa frequência vibracional mais alta. Para isso é necessário trabalhar, sendo que infinitas são as formas e cada um saberá qual a sua: meditação, oração, canalização, alimentação, respiração. Qualquer forma de trabalho disciplinado que mude o estado de consciência ordinário e ponha o ser humano em contato com outras possibilidades de percepção e compreensão são possibilidades de alteração de frequência.
       Sabemos que o estado não ordinário de consciência é uma possibilidade do humano e que não é mais tão difícil acessá-lo, tal como foi nos tempos da escolas ocultistas, que precisavam se esconder para se proteger, dificultando às pessoas comuns o acesso a certos conhecimentos. E também sabemos que não é um fenômeno que ocorre só com alguns poucos escolhidos, que ocorre com o outro e não comigo. Se é possível a um, é possível ao outro, afinal, somos todos os mesmos humanos.
       A forma mais leve, gostosa, fluida e surpreendente de conexão que já experimentei no meu percurso de formação foi o soltar o corpo na música, deixando a voz acompanhar e a respiração fluir espontânea. Deixar o tom da nota musical tocar meu corpo e fazer vibrar a frequência de seu tom e som. Permitir que meus braços transformem-se em asas e meus pés em raízes. Permitir que fale em mim o personagem da dor, da força, da luz e do amor. A música tocando e o corpo vibrando.
       De que corpo estou falando? Do corpo físico, que através dos seus sentidos de audição, visão, tato, olfato, paladar e propriocepção me transporta e me conecta aos outros corpos: emocional, mental, espiritual, conjugando a minha unidade objetiva-subjetiva. Nesse instante de conexão sou e não sou, espontaneamente. Sou um corpo que é ao mesmo tempo material e imaterial, real e imaginário, um todo integrado, tocando em uníssono com a sinfonia do Universo.
      Por essa via o processo humano maior de transformação que vivemos vai sendo expressado no aqui e agora do viver minimizado do Eu. Um Eu que pode ser tantos eus. Uma expressão que permite sair do espaço mínimo e ampliar-se nas possibilidades, caminhando através do espelho que revela tudo o que o Eu pode ser: branco, negro, índio, rico, pobre, inteligente, besta, doutor ou zé ninguém. Todos Eus e tudo o que eu posso ser.
       O que pode ser transformado é a forma de perceber-se e de perceber aquilo que ultrapassa o Eu. É isso que propõem as leituras de psicologia que falam de um movimento transpessoal, ou seja, perceber que o humano pode transcender o que acredita ser há milênios na história da humanidade: Eu. É isso que tantos caminhos espirituais procuram atingir com seus exercícios disciplinados. E é isso que é possível conseguir através da dança e da possibilidade de conexão que ela proporciona ao ser humano.

Grata à Fundacíon Internacional Río Abierto, com sede em Buenos Aires, que me trouxe essa formação.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A couraça e o caráter, em poucas palavras

       Wilhelm Reich foi um psicanalista que percebeu limites ou impossibilidades nessa via de compreensão do humano, avançando na tentativa de compreender a saúde e a doença por vias bioenergéticas (não só psico-energéticas).
       Freud marcou a história da psiquiatria e da psicologia por fornecer elementos impactantes que traziam o inconsciente como via de produção de sintomas, antes compreendidos como sintomas orgânicos. Seu tempo era de consolidação da psicologia como uma ciência natural, que buscava cada vez mais pautar-se pelo observável, mensurável, e ele apontou a necessidade de compreensão do imensurável e do não observável elaborado por vias indiretas e difusas. Freud fala de um aparelho psíquico organizado em Isso, Eu e Supereu que maneja uma economia energética via troca entre essas instâncias. Além disso, fala em dinâmicas de inconsciente, sub-consciente e consciente numa época em que a psicologia queria por toda força tornar-se uma ciência do comportamento perceptivo. Assim, os que vierem depois de Freud, seguindo seus passos, já partiram desse pressuposto por ele apresentado. Um deles é Reich.
       Reich observou que o corpo participava do processo psíquico uma vez que nossas defesas se transformavam em travas psico-físicas. Ampliando o que a psicanálise apresentava como mecanismo de defesa, defendeu que ao longo do processo de desenvolvimento do Eu ocorriam alterações crônicas que formariam o caráter. Em outras palavras, o que produz a formação do caráter seria a rigidez do Eu resultante de uma alteração crônica. O Eu fez isso para proteger-se contra perigos e ameaças, fez por estratégias de proteção. A esta estratégia de proteção crônica Reich chamou couraça. As couraças se formam como resultado crônico do choque entre as exigências pulsionais e o mundo exterior que frustra essas exigências. Isso corresponde a dizer que a criança, em seu impulso de vida, encontrou barreiras que a frustraram e que contribuíram para que ela construisse uma parede corporal de proteção. Para Freud essa parede de proteção estava nos mecanismos inconscientes. Para Reich essa parede chama-se caráter e se constitui numa integração do aparelho psíquico e do aparelho fisiológico. O caráter é uma maneira de portar-se no mundo em dinâmica psico-física conjugada.
       Assim sendo, essa rigidez ou enrijecimento vem acompanhando a pessoa e ela está tão acostumada a lidar com o mundo através dela, que passa a acreditar que essa forma crônica é ela mesma. Enquanto existe um benefício que se origina no caráter, o Eu nunca irá se questionar sobre ele. Todavia se, num dado momento da vida, algo começa a incomodar, o Eu irá deparar-se frente e frente com uma necessidade de transformação que implica seu corpo psico-físico. Se tiver coragem irá empreender um caminho longo e difícil de transformação.
       Nos tempos de Freud e Reich havia um determinismo aprisionante que colocava a mudança como algo raro, pois a cronicidade e a dificuldade de acesso aos pontos inconscientes dificultavam esse posicionamento mais maleável. Hoje os tempos são outros e a leitura de mundo e de humano favorecem às mudanças e as reconstruções de si. Em se falando de corpo, importante conjugar as múltiplas dimensões do humano em seu trabalho de reconstrução de si no mundo: corpo físico e corpo psíquico, marcando a unidade do sujeito.

Para saber mais: REICH, Wilhelm. Análise do caráter, São Paulo: Martins Fontes, 1989.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A mente cooperada com o espírito

       Outro dia fiz uma poesia inspirada nos selos vindos dos Maias e interpretados por José Argüelles. Sigo essas premissas tem um tempo e as sinto válidas. É curioso compreender um sentido para a entrada, refinamento, processo e saída de energia no universo. De uma gênese a um lume no universo.
       Então, recentemente fiquei curiosa com os tons. Os 13 tons que movimentam os vinte selos, combinando-se harmonicamente em um ciclo de 260 dias. Esses tons são como ações.
       Esse calendário de 260 dias combina jogos de quatro dias. E o começo do processo lembra o que aprendi com Doro sobre a forma e o limite. Nessa dinamicidade dá-se um movimento para fora da forma. Depois, faz-se necessário refinar, com humildade, o que veio de fora da forma. E só assim transformar. E com paciência. Ao final, o poder do saber. Eles falam em quatro semanas. Um ano com treze meses, cada um com quatro semanas. Sete dias para mergulhar fora, sete para refinar o encontrado, sete para transformá-lo com paciência e, por fim, sete para atuar o saber.
       Os treze tons dialogam com esse movimento de quatro. São eles:
1 - Atrair e entrar.
2 - Dualizar e tensionar
3 - Ativar (do duo ao trio)
4 - Configurar
5 - Ter mobilidade e realizar. Pulsar o tido. Reverberar.
6 - Organizar para harmonizar-se ao todo
7 - Canalizar (ajustar-se ao tom)
8 - Sintonizar (eu vivo o que acredito?)
9 - Reafirmar. Pulsar e realizar.
10 - Produzir (aperfeiçoando)
11 - Dissolver (liberar-se)
12 - Doar-se ao todo (cooperar)
13 - Transcender

       Algumas culturas produzem saberes, cujo objetivo é desenvolver a mente para que ela consiga ações espirituais. Precisamos desenvolver frequências para que o espírito possa atuar cooperado com a mente. Esse, dos selos tribais movidos por tons, seria um dos caminhos possíveis. Conheço outros e respeito muitos. Alguns eu sintonizo e exercito com mais frequencia. Esse calendário é um deles. A cada dia, um kin. E de tempo em tempo, um dia de não tempo para não ser. 
       Aqui no blog, só um algo mais para registrar, compartilhar e ter por perto para estudar.
       Quem ficou curioso - digite e busque: Tzolkin