Minha razão
Criei esse espaço para postar subjetivações subjetivantes do sujeito que sou!
Filosofia, psicologia, educação.
sábado, 2 de janeiro de 2021
A base de minha formação
Juntas, essas pessoas conjugaram em mim um saber latino-americano que nos brinda com incríveis vias, bastante acessíveis, de compreensão e transformação do mundo que vivemos.
Do Doro trago toda a minha base psicanalítica com seus desdobramentos em Jung e Reich. Também aprendi com ele a Gestal-terapia. Trago também desse mestre a compreensão da quadrinidade, carro chefe pedagógico do atendimento clínico que faço. Foi meu primeiro professor e o responsável pela minha base mais sólida.
De Baldani trago todo o saber da biocibernética (o complemento "bucal" deixo para meu companheiro de vida, Saulo Teles). Sou grata por viver a oportunidade de transformar esse saber em textos escritos e em pessoas formadas. Com muitos passos por esse caminho biociberneta abri muitos espaços. O mais legal do Mário é que ele não nos entregava o saber pronto e definido e é dele que trago o afã de saber sempre e mais. A forma que ele nos passava o saber foi embora com ele, pois Mário foi único. Imensa sorte tê-lo encontrado.
De Maria Adela trago a certeza de que o movimento cura e de que os opostos nos aprisionam quando demasiadamente tensionados e compartimentalizados. Trago a compreensão da harmonização do todo pelo seu alinhamento. Desse grupo de professores só Maria Adela está viva hoje. Eu planejava estar com ela na Cordilheira em 2020 e a circunstância de pandemia tornou nosso reencontro mágico, transformando toda a possibilidade de vivência com o seu trabalho e o grupo se fez ao seu redor. O Rio Aberto por Maria Adela é meu profundo espaço de cura. Canto e danço e danço e canto e rodo e fluo. A imagem é da Maria Adela que conheci em 1992 e que me graduou em 1997, pois ainda é assim que ela reverbera, mesmo que hoje ela esteja com quase 90 anos. Seu corpo físico é conduzido por seu corpo de luz, tenho certeza disso.
Do Fernando trago meu saber mais primoroso para a saúde e a educação, que é o entendimento da subjetividade. Esse saber transformou minha confiança em atuar na clínica, no desenvolvimento e na formação de pessoas. Com ele consegui vir a ser doutora. Ele foi o professor amigo, não o professor autoridade. Ele tentou assumir uma autoridade e, então, nós brigamos. É muito difícil um aluno vir a ser autor com um professor autoridade. O processo fica mais doloroso. Por isso te guardo em meu coração, Fernando, como o meu mais professor amigo. Contigo eu perdi muito o meu medo dos mestres e das autoridades. Nós demos certo como parceiros e assim vou te carregar pela minha vida: um grande parceiro.
Tudo o que essas pessoas me ensinaram eu escrevo em meu blog desde 2011, sitio que faz aniversário de 10 anos agora em 2021. É aqui que, a partir de minha academicista, de minha poeta, de minha escritora, compartilho todo esse saber, que se re-atualiza sempre.
Com essas pessoas aprendi que é importante ter discurso, mas que se eu não tiver a prática, o discurso não se sustentará. E que a prática constante flexibiliza o discurso e o transforma.
Tive também outros mestres, todos significativos. Aquelas e aqueles que me ensinaram psicologia, terapia craniossacral, organização de coletivos, educação ambiental, ecologia e transpessoalidade. Entretanto, esses quatro sustentam aquilo que defendi em meu doutorado: aprender em si mesmo. Em outras palavras, a produção de sentido do sujeito do conhecer e aprender.
Estou ao dispor para aquelas e aqueles que queiram conhecer um pouco mais desse saber em si mesmo. Essa tem sido minha modalidade pedagógica e terapêutica.
Comunico que entro 2021 com os atendimentos online e que estou somando ao saber conquistado com esses mestres a biodecodificação prática de C. Flèche, formação em andamento.
E pretendo firmar os atendimentos em grupo junto com uma equipe que passou o ano da pandemia firme e reunida em trabalhos de autoconhecimento, estudos teóricos e supervisão. Grupo, galera, pra funcionar mesmo, só em grupo!! :)
É um prazer compartilhar isso com vocês agora, nesse segundo dia de 2021, dia 02.01.2021.
Que venha, então, mais um ano de nossas vidas.
domingo, 27 de dezembro de 2020
Ciclo e pandemia: viva 2021!
Muito difícil falar sem ser ou sentir-se prepotente. O desejo é mesmo silenciar. Mas a vida nos cobra posturas. Uma dessas posturas é falar algo em viradas de anos. Desejar boas festas, intencionar saúde, paz, mudanças. Qual postura assumir nesse momento para expressar esse coletivo?
Algumas posturas identificamos bem, outras nos escapam e, entre
uma postura e outra, vamos nos sucedendo no tempo e no espaço. Os ciclos artificiais
fomos nós que marcamos e começamos a marcá-los tem uns 30 mil anos. Ainda hoje seguimos marcando uns e outros ciclos.
Ciclar é movimentar.
O ciclo de agora é de vida em pandemia com sinais fortes de
entropia social e política. Pensamentos obscuros emergem nos horizontes de
eventos. Sei que desejar algo não irá mudar algumas coisas da postura social e
cultural que nesse momento histórico expressamos, por isso tem momentos que
prefiro mesmo calar nesse final de ano.
Mas não vou me furtar de dizer que ainda existo e que seguirei na minha labuta, buscando estabilizar-me na consciência, conhecendo cada vez mais o tamanho e o poder do inconsciente. E confirmo aos amigos e parceiros de viagem que esse trabalho feito como disciplina, foco, persistência produz resultados palpáveis. De minha vivência testifico!
E te convido para teu testemunho em tua busca de estabilização na consciência. Meu trabalho é isso!
Vou virar 2021 atendendo online, viu? Tá bom, produtivo e
efetivo.
Que venha mais essa virada de ano e que a consciência chegue
aí também!
De ciclo em ciclo vou me manifestando por aqui.
sábado, 5 de dezembro de 2020
Problemas não problemas
Prefiro ser o tipo de pessoa que afirma "tenho problemas".
Afirmar "não tenho problemas" implica que eu seja cheia de "soluções".
Se o mundo é dialético e em movimento, quem tem soluções, busca problemas.
Por outro lado, se afirmo "tenho problemas", a própria dialética me conduz à busca de soluções.
Dessa forma, vislumbro duas possibilidades ao humano:
- Eu tenho problemas e não os tenho.
- Eu não tenho problemas, portanto, os tenho.
Qual irás te identificar?
Só mais uma divagação do de-vagar que se vai ao longe!
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
Notas reflexivas
Encontrar pequenas notas e tentar compreender o que elas me ensinavam. Coisas do tipo:
Autopoético como algo que produz a si a partir de uma lógica interna.
Emergente no sentido que aparece no todo não sendo propriedade que existia nas partes ou nos componentes individuais.
Auto-organização e emergência - auto-manutenção e auto-reprodução - de baixo para cima e das partes para o todo; de cima para baixo e do todo para as partes.
Mente e consciência são processos e não coisas.
O processo de cognição é o processo da vida.
Se não for integrado não rola, então é preciso trabalharmo-nos como uma unidade integrada; uma unidade complexa e contraditória. Algo difícil de assimilar por mentes tão cartesianamente formadas, mas algo possível de compreender pela vivência de uma pedagogia da unidade em si mesmo. Integrando o conhecedor e o conhecimento no curso da ação do aprender e desenvolver. São os dois lados de uma moeda
A comunicação é a coordenação de comportamentos entre organismos vivos. A linguagem é quando chega num nível da abstração tal que possibilita a comunicação simbólica. O símbolo é como uma ferramenta efetiva para a coordenação mútua de ações.
Ok! Eu me lembro de quando escrevi essa notas. Eu estava estudando Francisco Varela. Só não lembro quando e de qual texto parti.