Tenho registros de estudos que fiz quando estava professora de Organização do Trabalho Pedagógico, no curso de Pedagogia do IESB Oeste. Trabalhar com essa disciplina era algo que muito me motivava, pois eu precisava pensar a organização da educação, não só dentro de sala de aula, mas também no tempo e no espaço. Nos trabalhos de pesquisa sobre os temas que precisava trabalhar, tais como planos, planejamentos, avaliação, o próprio sentido de educação, as bases de uma concepção mecanicista de educação, os pilares da educação para nos novos tempos, entre outros, encontrei materiais relevantes para dialogar com os aprendizes de educação.
Um deles foi o filme "Vocacional", de Toni Venturi, lançado em 2011. O filme Vocacional é um documentário que mostra um projeto de escola no Brasil, dentre muito outros inovadores de um mesmo período histórico, pois os Ginásios Vocacionais de São Paulo não foram projetos isolados dentro de uma configuração subjetiva social mais ampla, que conseguiu materializar um sentido de educação muito efetivo.
Um deles foi o filme "Vocacional", de Toni Venturi, lançado em 2011. O filme Vocacional é um documentário que mostra um projeto de escola no Brasil, dentre muito outros inovadores de um mesmo período histórico, pois os Ginásios Vocacionais de São Paulo não foram projetos isolados dentro de uma configuração subjetiva social mais ampla, que conseguiu materializar um sentido de educação muito efetivo.
Estudando sobre currículo apurei nos autores que, quando falo de currículo, falo de projeção e desdobramentos de Projeto pedagógico. Um currículo seria um conjunto de saberes e práticas, conjunto este ligado a um momento histórico e social. Este momento, por sua vez, estabelece objetivos relacionados aos conhecimentos que se quer construir por meio de conteúdos diversos. Planejar um currículo seria definir coletivamente objetivos e estratégias, seria pensar os tempos, organizar os espaços, conhecer as diferentes necessidades nos e dos diferentes graus do processo de desenvolvimento humano.
Como psicóloga, não posso deixar de ressaltar as particularidades do processo curricular de uma escola como o Ginásio Vocacional. A primeira coisa importante é: um currículo pautado na formação da personalidade. Não vemos isso hoje em dia, pois os currículos tendem a pensar no conhecimento humano como algo separado da pessoa singular.
Além disso, tem outra diferença - de qual ciência partir? da natural? da exata? - tal como percebemos em muitos de nossos currículos hoje em dia? Pois bem, no Ginásio Vocacional havia um singular respeito em partir a construção do currículo a partir das ciências humanas e seus estudos sociais.
Estávamos nos anos da década de 60 do século passado e já falavam em integração de saberes, em não focar nas disciplinas, mas nos núcleos educacionais, já trabalhavam com o saber contextualizado, com as decisões coletivas, tendo os estudantes como principais protagonistas, construindo uma escola que não se fechava em si mesma, que primava pelo processo reflexivo, que colocava os alunos como criadores e produtores, que precisavam compor sua auto-avaliação e que eram o tempo todo estimulados à autonomia.
Então fica a pergunta o que é um currículo? Quais os desdobramentos de uma escolha curricular?
Esse processo educacional terminou por conta de uma conjuntura política, que o abortou por completo. Ficamos sem os desdobramentos incríveis que esses projetos curriculares teriam produzido num país como o Brasil. Uma pena! Socializar no Brasil é crime e certas propostas de construção de uma nova sociedade se perdem por isso. Aborta-se a socialização e isso repercute no abortamento da ciência em primeira pessoa e do trabalho ecológico, pensamentos necessários à sociedade do século XXI.
Esse processo educacional terminou por conta de uma conjuntura política, que o abortou por completo. Ficamos sem os desdobramentos incríveis que esses projetos curriculares teriam produzido num país como o Brasil. Uma pena! Socializar no Brasil é crime e certas propostas de construção de uma nova sociedade se perdem por isso. Aborta-se a socialização e isso repercute no abortamento da ciência em primeira pessoa e do trabalho ecológico, pensamentos necessários à sociedade do século XXI.
Portanto, fica aqui o registro, reciclando mais um papel manuscrito e reflexivo, dos tantos que já produzi. Algo que fica registrado para um outro tempo.
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